domingo, 2 de abril de 2017

Para acreditar

Talvez seja só fechar os olhos e dar o passo.
É possível que haja o caminho para seguir. Se não. .. que a força dos pés marquem a trilha.
Pode ser que já estejamos na estrada e ainda procurando por ela.

Ter mais prazer nos passos que na pressa da chegada. Nela sempre terminamos mesmo.

Que a beleza esteja no seguir junto.
Que seja permitido o tombo... que tenhamos quem nos levante.
Mas, que tenhamos o privilégio de alguém conseguir levantar.

Que a cada choro haja sorrisos para dar esperança.
Para os calos, o bálsamo do afeto.
Que no frio e cansaço mãos nos socorram e garantam o abrigo do abraço.
Que corramos para dar o abraço!!!

Que ao final da estrada, no abraço do destino, sejamos gratidão.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Do amor

Talvez o amor seja isso mesmo.
Essa vontade louca de querer ser melhor, para assim poder ofertar.
Ser silêncio para poder dar voz; mas também ser barulho para espantar a solidão.
Talvez seja essa pausa que dói o coração, para acertar o compasso.
Deve ser essa mania de dizer o óbvio, porque é das coisas simples que nasce a verdade.
Há mais nobreza na alma nua que nos muitos véus que sufocam.

sábado, 25 de março de 2017

Vontades

Vontade de me abrir em flores e perfumar você;
De soprar borboletas que te brinquem;
Vontade de ser água pra derramar frescor em seu corpo;
De ser sorriso e encanto que te alegra.
Da vontade de ser abraço e colo que te envolva...
Aconchego para sempre, para vida.
Talvez remédio na dor, um caminho novo.
Na estrada, mão para ser dada, e que afaga.
Pirraça que te irrita, e te provoca raiva, o olhar... o desejo... a sanha...
Um pouco de choro e medo... medo do devir... e o pavor do ficar e não ver além do hoje.
Vontade de me ver ser a sua vontade.

domingo, 19 de março de 2017

No Corpo

Tantos poetas versaram;
Em tantas canções lhe ouvi.
Alguns experimentei, outros tive.
Mas você não estava.
Seu corpo é mais que o físico, 
Seu suor, olhos e gozo em mim.
O cheiro e o pulso sobre mim.
O grito contido, a mão que prende.
Abrigo no abraço que me cabe inteira.

É a palavra que vem à boca e engulo; com a minha? Com a sua saliva?
Desesperada,  nem sequer pode ou pretende caber em mim, vai vazando pelos poros, gemidos.
Sussurros mudos  minando e amolecendo meu corpo...
Que já é nu, que já é seu.
Que só é completo e amansa em Thi.
Que já não quer outro, que sente não precisar mais procurar.

Como Nut deseja Geb, horizonte e estrelas.

E quando afasta estou impregnada,
apaziguada. Mas, logo sedenta.
Seu corpo é como vida que retorna à terra seca. Como sorriso solto, e a gargalhada que fecha os olhos.

Seu corpo...
Seu corpo é você nele.
No seu corpo você se faz.
No seu corpo está você.

Seu corpo é você,
E já não importa corpo morada,
Só o que nele habita.
Você, nada além...
Você.

sábado, 18 de março de 2017

Confissões

Eu não sei ser o que se espera.
Não tenho nada que ate.
Não há segredos nem atrativos.
O que sou não é, de fato, muito.
Deve ser mesmo muito pouco.
Talvez seja mais amarga que doce.
Cada vez mais clandestina, e menos apresentável.
Não sei falar do que sinto, não sei nem mesmo se a alguém faria diferença.
Chego sempre atrasada,
Nunca oportuna.
Talvez uma opção, nunca a escolha.
Quem chega,  invaravelmente, parte.
E eu que a vida inteira quis ser parte de alguém.  Vejo sobras de mim irem no vento.
E a cada promessa de nunca mais querer... Fracasso totalmente.